Um Busca Perdida

Durante esse mês que passou, tive a sensação de que o tempo não passou de um mero dia de outono. Minha distração com a situação do Décium foi tamanha que não cheguei a estudar a esfera do golem de sangue.

Até agora nenhum sinal do Maximiliano. Também, pudera. Airships costumam ser muito rápidos e silenciosos. Ele foi muito esperto e teve muita sorte.

Enfim, com o passar do tempo não me dei conta de como os dias ficaram perigosos. Agora temos rumores de Theranos, emboscadas em nossas tropas e muito sangue perdido sem nem explicação. Até agora ninguém sabe o porquê dos theranos conseguirem achar as tropas de Ezgov tão facilmente.

Estava despreocupada em meu quarto quando sem qualquer aviso, essa semana um homem bateu à minha porta procurando por ajuda. Seu semblante apontava preocupação, e sei que não fui sua primeira escolha, pois como sou nova aqui não sou tão reconhecida. Seu nome era Dasso, um senhor da guarda do Lorde. O que ele me pediu não é nem um pouco comum, particularmente algo que nunca pensei em fazer: procurar sua mão amputada. O homem estava tão preocupado quanto ao mal que isso estaria lhe causando que me sugeriu um pacto de sangue em função do Thread que faria nele.

Como não poderia obter sucesso nessa busca, sozinha, convoquei um grupo discreto que conheci e que, por coincidência, ainda estava aqui na cidade. É o mesmo grupo que foi comigo no kaern, pois achei que talvez os Adeptos deste grupo aceitassem melhor essa aventura tão inesperada. Como previsto não foi tão difícil fazer com que os Elfos Drei e Koelan concordassem já que Dasso nos ofereceu uma recompensa de acordo com o sucesso da missão. Já com o Hackar falei da possibilidade dele ter uma audiência com o Lorde da cidade.

Cheguei a oferecer uma melhoria na espada de Hackar por minha conta para incentivá-lo a ir comigo, mas o ferreiro Drei acabou forjando uma nova como cortesia. Eu achei esse gesto muito bondoso da parte dele.

Nossa jornada começou aparentemente tranqüila, mas já logo na primeira noite Koelan encontrou o que parecia ser uma forma humanóide com um capuz bem no alto de uma colina nos observando. No momento em que eu já estava tentando dormir sem o conforto do meu quarto alugado no hotel foi um tanto perturbador saber daquilo e não consegui ver nada quando ele me chamou. Na manhã seguinte, quando me sintonizei com o Espaço Astral, deparei-me a forma estranha de um olho um tanto quanto grande nos observando bem acima de nossas cabeças. Talvez fosse a mesma fonte da visão de Koelan. Por sorte o olho não nos atacou nem nada, ainda assim, resolvemos partir imediatamente.

Pensei que seria difícil conseguir recuperar aquela mão, pois ela estava em constante movimento e não sabíamos em posse de que…

Com o decorrer das horas no dia seguinte, avistamos um Airship meio desorientado. Não sei se aqueles a bordo chegaram a nos ver, mas um tempo depois fomos emboscados por Theranos. Não sei se por displicência do Koelan – que insistia sempre em ir à frente – ou se teríamos conseguido despistá-los se eu não fosse tão lenta, mas tivemos que enfrentá-los. O grupo de inimigos era composto por dois líderes Adeptos – um Elfo e um Ork – e muitos escravos. Para mim o combate não foi tão difícil quanto para o meu pessoal – um deles chegou a se ferir bastante enquanto eu consegui terminar a batalha com ferimentos irrelevantes. Conseguimos matar um dos líderes, um Elfo. Drei conseguiu ver que este Elfo possuía uma armadura de cristal vivo e Hackar se interessou por ela. Ajudei, então, Drei a retirá-la do cadáver. Para tanto, fomos até uma caverna aparentemente segura e depois de muitas horas de concentração conseguimos fazer um trabalho limpo e agradável. Resolvemos passar a noite ali mesmo. Um pouco depois, quando já estava me preparando para deitar, apareceu um anão, usando uma coleira de escravo, que parecia só querer abrigo, assustado que estava com o que poderia lhe acontecer. Era um dos escravos da batalha que conseguira se libertar com a morte do Elfo. Koelan parecia não confiar nele e se precipitou em querer fazer com que o ex-escravo se comprometesse com o grupo propondo, sem pensar em seus ferimentos, um pacto de sangue, mas este não teve muito efeito sobre o anão.

Passamos a noite em segurança. No dia seguinte, seguimos a direção do membro amputado, e logo chegamos a um lugar muito estranho beirando um pântano. Ao longe havia uma choupana intacta e a seu redor parecia estar tudo queimado – o lugar estava sem vida. No céu muitas nuvens carregadas pareciam prestes a explodir. Quando decidimos avançar – precipitadamente a meu ver – as nuvens começaram a baixar até nos encobrir completamente, criando assim uma névoa densa que na realidade se compunha de espíritos de fogo. Conforme eu avançava, ia me ferindo gravemente, talvez pela minha lentidão ao andar. Não cheguei a ir muito longe quando de repente caí no chão inconsciente. Só me lembro de ter acordado com alguém me chamando e pedindo para que eu corresse para longe dali.

Somente quando saímos do local e as nuvens se dissiparam que me dei conta de que Koelan não estava com a gente. Seu irmão Dre estava disposto a se sacrificar para tentar encontrá-lo, mas Hackar o impediu e disse que iria em seu lugar. Quando ele voltou nos contou tudo: A choupana era cheia de mãos animadas espalhadas pelo chão e havia uma poça de sangue com restos de corpos de todo tipo. Um dos habitantes da casa tinha a aparência de um menino, e até hoje não sei o que aconteceu com ele. Provavelmente não sobreviveu à pancada que Hackar lhe deu. Pelo que eu soube a mão amputada estava nas costas de um monstro feito de pedaços de corpos aleatoriamente espalhados por ele. Uma criatura muito estranha e muito horripilante de se olhar.

Não conseguimos mais encontrar o Koelan. Talvez se eu estivesse lá poderia tê-lo encontrado, mas chegar até a choupana era impossível para mim. Quando Hackar saiu desesperadamente da choupana ela se desfez diante de nossos olhos. Tentamos tomar um fôlego, colocar os pensamentos em ordem, relacionar nossas crenças com os acontecimentos, quando ao longe avistamos varias criaturas se dirigindo ao casebre destruído. Alguns de nós acreditamos que se tratava do mesmo Ork e seus escravos que encontramos no caminho. Eu já não tenho tanta certeza.

Nossa volta para casa foi particularmente tranquila, redirecionei meu thread para o corpo de Dasso, já que antes de sair pedi a ele que ficasse na cidade. Acredito que isso foi o que nos ajudou mesmo, porque sem um Scout seria impossível conseguirmos.

Ao chegar, a cidade estava cheia de forasteiros Adeptos, fiquei sabendo que o Lorde estava recrutando ajuda para acabar com o massacre de suas tropas emboscadas ao redor do castelo.

Assim que cheguei à cidade, pedi para um mensageiro localizar Dasso para que pudesse lhe dizer tudo que passamos, e explicar que não fôramos capazes de recuperar sua mão. Me sinto muito mal com isso, gostaria de conseguir voltar lá e tentar, com calma e cabeça fria dessa vez, completar a tarefa. Senti que tudo p que passamos naquele dia não deveria ter sido daquele jeito, apesar de Koelan ter sido uma simples perda substituível, penso que poderíamos ter tomado mais cuidado, pensado um pouco mais antes de agir impulsivamente. O que será esse incomodo no meu peito!?

Suffer Saddly

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