O Elemental de Sangue

Segue, abaixo, os relatos do Battlerager Hakar Mournkeep de Landis acerca de eventos que ocorreram no ducado de Landis. O texto foi editado apenas para facilitar sua leitura e organização aqui na Biblioteca. Como é nosso costume nesses relatos, leitores estão convidados a adicionarem notas diretamente abaixo de trechos relevantes, mas pede-se que mantenham a formatação intacta. – Para a edificação do leitor por Namu, Arquivista Noviço.

Ao contrário das noites anteriores, aquela era quente e abafada. Aquele cheiro esquisito no ar me dizia que algo daria errado no dia seguinte, mas eu, como de costume, ignorei o que sentia. Estamos no Ducado de Ezgov, um dos últimos regentes que ainda mantém as tradições de Landis, da pátria mãe. Eu sou Hackar Mournkeep e vim para esse lugar na esperança de ter um encontro com o Neroff, o duque local. O sangue real corre nas minhas veias sim, mas acredito que aqui, no fim do fim do mundo ele pouco vale. A oportunidade parecia perfeita. Os videntes do duque fizeram algum tipo de aposta. O grupo que lhe trouxesse uma relíquia que fora deixada pra trás de um Kaern antigo venceria uma disputa amigável. Para esse grupo haveria a parte em lendas e uma boa recompensa em prata. Sim, um trabalho para os videntes do duque se bem executado poderia chamar a atenção do mesmo para mim. Ficaria mais fácil conseguir saber se ele ainda seguia nossos costumes apenas por seguir ou se ele também tinha o sonho de reaver a terra sagrada de Landis.

O mago escolhido por nós foi o Humano. Nem me lembro o nome do tal. Deveria lembrar… O gesto do mesmo após seu “amigo” ter saído da sala e nós o termos escolhido foi no mínimo duvidoso. “Trezentas moedas a mais se voces vencerem… Metade agora,” ele nos disse. Me indignei, quis recusar, mas não podia fazer isso com o resto do grupo. Eles tinham o direito de aceitar o dinheiro, apesar da atitude não ser a mais… hmm, correta seria a palavra?

Quanto ao grupo? Dois irmãos Elfos. Um Armeiro e um Scout, parecia ser uma boa combinação, e os mesmos pareciam ser de confiança. Nunca fui com a cara de Elfos na verdade, mas o armeiro me inspirou uma confiança extra, admito. O outro membro é um Obsidiman – Nethermancer, ao que parece. Me dá arrepios. Ainda não sei se devo tratá-lo como homem ou mulher, na verdade… Eles têm essa distinção?

A missão em si parecia fácil. Deveríamos ir a um kaern que abriu sem problemas com horrores, de onde todo mundo saiu. De lá, fundaram suas vilas e estão vivendo bem desde então. Se tiver alguma coisa lá dentro, achei que não seria algo que nós não déssemos conta. O grande problema seria mesmo o outro grupo. Na noite anterior o Scout deu a idéia de nos socializarmos. Fiquei com a impressão que na verdade ele queria embebedar nossos concorrentes e tirar vantagem disso no dia seguinte, mas ele me assegurou que não. O grupo deles tinha um Archer, um Defender, um mago e um Beastmaster. Gostei do Ork Beastmaster. Sabia que ele nos daria trabalho arrumando montarias e foi exatamente o que ele fez. Bem, nós tínhamos um obsidiman, a não ser que arrumássemos uma thundra beast, montaria para nós seria inútil. Mas nós tínhamos um Scout. Este arrumou um atalho pela floresta e foi mais rápido que pela estrada, eu acho.

Entramos no Kaern. Algumas runas há muito desativadas estavam na entrada. Encontramos umas criaturas da noite que deixavam no ar uma fumaça que não nos permitia ver nem um palmo à nossa frente. O Sscout disse o nome delas, mas eu já esqueci. Eram inofensivas no combate, mas boas para atrapalhar quem está com pressa.

Encontramos a cidadela dentro do Kaern. Tomamos uma direção a esmo e fomos embora. Procurar uma sala, talvez um laboratório, talvez uma casa afastada com um artefato dentro de portas vermelhas num Kaern abandonado… Isso realmente ia ser complicado. Achamos uma ponte sobre um canal. Na verdade achamos porque o outro grupo a cortou. Parecia ser a única passagem, então não havia como recuar. “Vamos nessa.” Descemos, para escalar do outro lado quando um Elemental de lama começou a nos atacar. Agarrou na minha perna e me puxou a uma velocidade incrível. Os Elfos acharam que a melhor idéia era tentar acertar o tentáculo que me puxava em alta velocidade… Podiam ter arrebentado a minha perna ao invés disso! O obsidiman correu e me segurou. A idéia dele era melhor. Acertei o tentáculo até que o mesmo me soltasse. Nos reagrupamos e o armeiro pegou minhas armas que ficaram para trás. Começamos a tentar subir novamente. Mas era um processo lento e, novamente, fui atacado. Agimos em equipe: me jogaram uma corda e com muita dificuldade consegui subir também.

Continuamos seguindo quando tive a idéia de procurar a praça central. Talvez tivesse um mapa com localizações na cidade, e talvez até uma biblioteca ou universidade. E tivemos essa sorte. No centro tinha uma casa central e nela um mapa. Deve valer um dinheiro interessante em Throal. Ficou com o Scout.

Finalmente, achamos a universidade. Parecia que o outro grupo teve dificuldades, ouvimos barulho de combate à distância. Talvez os sons viessem do cemitério. Entramos sangue, muito sangue – recente! – espalhado por todo o local. Alguma coisa estivera ali havia pouco tempo. Talvez fossem os sinais de um combate. Achamos a sala com portas vermelhas. Dentro dela – SIM! – encontramos o artefato. E junto seu guardião: um Elemental de Sangue. Nethermancers! Sempre criando essas coisas absurdas. Por sorte e depois de um bom trabalho de equipe o Elemental se desfez. O Obsidiman ficou com uma bola dourada que ficava no centro da coisa. Será que ele pretende refazer a criatura? O artefato era grande e sem jeito de carregar. Os Elfos se ofereceram para transportá-lo e eu não recusei. No caminho de volta encontramos o outro grupo. Depois de alguns momentos de tensão (acreditei que seríamos atacados) os Elfos negociaram uma escolta para a volta. Não entendi na hora o motivo, mas creio que eles estavam pensando no futuro, talvez em uma aliança, talvez em um prêmio para os perdedores. Em todo caso, hoje, entendo que foi uma decisão sábia.

Devolvemos o artefato ao mago, que parecia nervoso. O Scout ficou pra trás e descobriu que o mago estava desmontando o artefato. Procuramos o t’skrang sem sucesso.

TRAIÇÃO!!!!! O humano assassinou o próprio amigo e fugiu da cidade naquela mesma noite. Eu devia ter seguido meu nariz. Aquele cheiro esquisito no ar. Investigamos e perdemos a trilha do maldito quando ele pegou um air ship. Não há mais nada que possamos fazer agora. Infelizmente não deu certo e um encontro com o duque no momento seria no mínimo desapropriado. Espero pela próxima oportunidade. Mas será que ela vai acontecer nesse fim de mundo?

O Elemental de Sangue

Shattered Legacies juliocmbaia