E Renasce a Esperança

Missão mais ou menos cumprida eu diria1. Não conseguimos trazer a mão do capitão de volta, mas conseguimos passar informações suficientes para que ele possa ir atrás da mesma ou esquecer de vez. Acontece que quando voltamos, Ezgov estava um caos. Adeptos aos montes, muitas pessoas armando planos, arquitetando estratégias, mas nada que realmente tivesse surtido efeito até então. Resolvemos ajudar. Não era fácil, o Lorde disponibilizou mais dinheiro do que o que ele realmente tinha para tentar resolver o problema e isso tinha atraído muita gente. Pessoas boas – e ruins também. Mas houveram coisas boas com isso. Todos nós pudemos treinar e, durante duas semanas, consegui até esquecer que perdemos um membro do grupo. Para Dri a situação era piro, ele tinha perdido um irmão. Não sei se as raças encaram isso de forma distinta, mas ele definitivamente não tinha superado a perda. Descobrimos que Adeptos de todos os tipos estavam se reunindo em uma taverna no centro de Ezgov. No inicio o taverneiro bancava bebidas para que aquilo se tornasse um ponto de encontro de todos mesmo, para discutir estratégias e coisas do tipo, mas, com o passar dos dias, o ponto se firmou e ele deixou o encontro continuar acontecendo. E foi lá que conhecemos nosso futuro empregador. Deixem, porém, eu voltar um pouco a estória para que as coisas se encaixem.

Em um dia que parecia ser só mais um, resolvemos ir até a taverna – Lembranças de Kalydel – para tentar ajudar de alguma forma. Mas ainda éramos noviços. Quem daria realmente atenção a um monte de noviços? Estávamos apenas começando a construir nossa lenda, mas, meio que sem querer, acabamos fazendo algo realmente notável. Discutíamos que estávamos juntos havia algumas semanas já, e, de uma forma ou de outra, pensávamos muito parecido. Talvez fosse a hora de termos um nome, um objetivo, um norte para nos guiar. Prontamente sugeri Vingadores, afinal Koelan 1 havia morrido e Dri tinha deixado claro que queria vingar a morte do irmão a qualquer custo. Mas o mesmo disse algo que me fez mudar muito, mudou minha percepção de como ele encarava o mundo. Ele disse que os Elfos costumam celebrar a vida e não a morte. Então, sugeria o Armeiro, que Koelan fosse conhecido pelo que o mesmo fez em vida. E ele viveu uma vida de liberdade, na natureza, conscientes disso, se quisermos honrar sua memória, que sejamos contra todo tipo de privação de liberdade, inclusive liberdade de escolha. Que, então, sejamos conhecidos como os Libertadores.

Nesse momento pedi ao Dri que o mesmo me emprestasse uma de suas correntes. Pedi que cada um segurasse em uma ponta, e falando nosso nome quebramos a corrente. Guardamos cada um, um pedaço da mesma e os Libertadores tinham sido criados. Foi um fato impressionante, em que a magia realmente pôde ser sentida. Todos ali na taverna pararam e presenciaram aquele momento que se tornava histórico. Era como se a magia tomasse vida e passasse por cada um ali naquela taverna. Eu sabia como aquilo acontecia na teoria, mas fazer parte do feito foi uma experiência inigualável.

Mais tarde, naquela mesma noite, fomos procurados por um T’skrang cujo nome agora me escapa. Mesmo porque, era um nome falso, como descobriríamos mais tarde. Aquele era, na verdade, um nobre historiador do Ducado de nome K’satari. Naquele dia, ele se apresentou como um historiador querendo saber do encontro com os Theranos1. Ele fez perguntas muito especificas, como quantos eram. Se vimos o nome do navio. Se sabíamos o nome dos Theranos. Ele não parecia ser apenas alguém interessado na história. Poucos dias depois fomos chamados à sua casa. Ele se apresentou com seu nome verdadeiro pedindo desculpas pela discrição inicial, e nos solicitou uma missão que na teoria parecia simples, mas que veio a se tornar algo realmente desafiador. Em 12 dias aconteceria um bazar na antiga capital de Kara-fahd. O Bazar de Nevalk2. Um bazar anual onde se compra ou vende qualquer coisa. Teríamos uma carta de crédito para comprarmos um livro, um livro que estava relacionado a teorias de adivinhação. Ele se chamava o livro de Prata Polida e tinha sido retirado da Biblioteca Eterna que hoje se encontra no meio do Death Sea3. Esse livro havia de ser trazido por um mercador de algum renome chamado Kratchak (um Ork). A proposta era chegar com a carta de crédito e comprar o livro. Simples?! Ainda não tenho a resposta para essa pergunta. Estamos acampados em um bosque em Cara Fahd. Seguimos um assassino Therano até aqui e ele acaba de se encontrar com um grupo de Theranos que já enfrentamos antes e para os quais perdemos. Estamos traçando nossa estratégia de ataque, e se o mesmo for bem sucedido, terei prazer em retomar a história do início até chegarmos aqui.

Preciso ir. Dri me chama. Chegou a hora.

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1 Hackar refere-se, aqui, aos eventos relatados em A Mão e o Horror.

2 Note que, a despeito da confusão de Hakar, a antiga capital de Cara Fahd é a esquecida Wurchaz. Em defesa do nobre relator deste documento, este escriba precisou consultar numerosos velhos pergaminhos para determinar esse fato.

3 Mais uma vez há uma confusão geográfica, a Biblioteca Eterna estaria perdida no meio dos Wastes e não sob a incandescente prisão da Paixão Morte.

E Renasce a Esperança

Shattered Legacies infax01